
Feito à mão: a ancestralidade revolucionária do design
No mês passado, levamos ao nosso estande do Isaloni algo que revolucionou a história das mostras de design. Nosso artesão, Anderson, parou o evento e atraiu olhares mais que curiosos: olhares apaixonados, atentos, que se faziam incrédulos ao verem a complexidade da trama que ele fazia com tanta naturalidade. Quando propusemos um espaço bem na esquina do nosso estande dedicado ao fazer artesanal, com um profissional tecendo uma peça complexa em tempo real, fizemos muito mais do que quebrar paradigmas: colocamos em primeiro plano a revolução que é a ancestralidade.
Ancestralidade revolucionária parece uma frase contraditória. Algo que é ancestral e sempre esteve presente não pode, em teoria, ser uma novidade que revoluciona nossos paradigmas. Mas vivemos em um momento da história em que devemos mais do que nunca questionar essas dualidades, e o design é o campo que mais nos permite trazer essas indagações. Hoje, num momento pós-Salone del Mobile, temos a oportunidade de refletir sobre o que realmente importa no âmbito do design contemporâneo. Para nós, essa sempre foi uma oportunidade de fazer muito mais que uma exposição: a Semana de Design de Milão é um laboratório. Seja num passeio pelas ruas de Milão, pelos corredores do Salone ou na vivência que temos nas nossas exposições, temos um compromisso com entender o design não só enquanto estilo ou conceito, mas principalmente como um espelho do estado do mundo.
Um questionamento: quem é você sem a tecnologia?
Hoje, tudo é tecnológico e imediato. Com vidas que acontecem tão rápido, tudo é uma demanda urgente que pode (e deve) contar com a ajuda da tecnologia, que responde às nossas perguntas em um estalar de dedos e resolve problemas complexos com a simplicidade de um prompt bem escrito. A vida passa a ter uma dualidade entre o digital e o físico, o simples e o complexo, o imediato e o lento. Usamos a tecnologia com a justificativa de sobrar mais tempo. Mais tempo para o quê? O que fazemos com o tempo que sobra? Em geral, trabalhamos mais, produzimos mais e ficamos mais à mercê dessa mesma tecnologia cuja proposta inicial era a de nos libertar.
E é esse o pulo do gato do feito à mão: o artesanato, por definição, não pode ser feito por uma máquina. No nosso trabalho, a tecnologia serve apenas para ajudar com força e exatidão. O grosso do trabalho é, sempre foi e sempre será feito por mãos humanas, e é por isso que nosso produto vale tanto. Há alma em cada nó. Há conhecimento, estudo, valor humano. Sim, talvez uma máquina conseguisse elaborar uma trama em tricô náutico. Mas é isso que queremos, se boa parte da beleza do produto está justamente nas nuances humanas?
O feito à mão tem a sensação de um abraço – algo que só um ser humano pode dar.
Quando nosso artesão, o Anderson, passou seis dias tramando duas peças em tempo real sob, sem exagero, o olhar do mundo inteiro, ele certamente cometeu pequenos erros que a tecnologia jamais cometeria. Nessas ocasiões, ele voltou atrás, corrigiu com técnica e atenção, e seguiu adiante com muito mais do que movimentos mecânicos: foi com alma. Com amor pelo ofício. Corrigir erros significa, também, cuidar da perfeição ao passo que se permite ser humano. E existe algo mais bonito que isso?
E é por isso que a ancestralidade é revolucionária. Em um mundo imediato, ousamos continuar nas técnicas que precisam de tempo, pausa e respiro. Afinal, é isso que vendemos: o móvel para áreas externas convida para um momento de pausa, relaxamento e contemplação. Convida para aproveitar o natural, para se divertir com a família, para suspender o estresse e mergulhar num momento de suspensão. E essas características estão na alma do nosso produto, cravadas em si da primeira dobra do alumínio ao último nó da trama. Somos, por essência, esse respiro. Ousamos usar nosso tempo na medida certa.
Mais do que nunca, queremos ter a certeza de que tudo o que consumimos tem essência, propósito e alma. Podemos não perceber, mas sentimos falta da nossa humanidade. Não é à toa que grandes marcas, como a Apple, fazem questão de mostrar o “behind the scenes” de todas as suas campanhas e de deixar bem claro que tudo foi feito com mãos humanas – e é exatamente isso que fizemos ao levar um artesão para o nosso estande no Isaloni. Esse é o nosso “behind the scenes”. Por trás da cena, há algo muito real e bonito, feito pelas nossas mãos, mentes e corações.
Não é à toa que nossa marca se constrói em cima do “nós somos feitos de nós”. Somos feitos dos nós do artesanato, sim, mas também de nós como pessoas. Esse é o feito à mão, que tem um valor insubstituível em todos os aspectos. Continuamos apaixonados pelo que fazemos e não trocaríamos isso por nada – e essa é a nossa revolução. Medir tecnologia e artesanato, rapidez e pausa, exatidão e afeto; tudo na medida certa. E essa precisão é a nossa marca registrada.
Nos vemos na sexta que vem!
Um abraço
Studio Lovato
Leia mais.
Descubra mais do universo da Lovato. Veja mais postagens »

